Tive uma avaria no carro. Resolvi procurar uma oficina que me desse garantias de que o meu carrito ficasse realmente como novo, e encontrei.
Mal cheguei à dita oficina, vem um indivíduo de fato e gravata receber-me: “Bom dia, posso dar uma vista de olhos?”. Eu deixei. O engravatado abre o capot, começa a mexer no motor, faz uma careta, e diz-me: “O carro vai ter de entrar já de urgência”. Eu pergunto se é grave, e o tipo responde-me que só depois de fazer alguns exames é que pode dar um diagnóstico mais concreto.
Eu fiquei ali, apreensivo, no meio da sala de espera, aguardando por notícias que tardavam em chegar. Nisto aparece o mecânico, que me diz “O carro vai ter de ficar esta noite cá na oficina, em observações”. “É grave?” pergunto eu. “Não lhe vou mentir… o diagnóstico é bastante reservado” responde-me ele friamente.
Tentei passar a noite na oficina, mas as visitas acabavam as dez da noite, pelo que tive de ir para casa. Na manhã seguinte, bem cedo, sigo para a oficina após ter comprado dois litros e meio de óleo sintético, e meio litro de anticongelante. A comida de oficina não é muito boa, e não quis que faltasse nada ao meu doentinho.
Mal cheguei lá, apercebi-me que havia alguma agitação. Alguém gritava “temos de o reanimar… rápido, tragam o starter”. Eu corri para ver o que se passava. Fiquei em pânico quando reparei que era o meu carro que estava sem bateria. Enquanto alguém me impedia de me aproximar, vi o mecânico dar três choques no meu carro sem que este desse sinais de vida. Então o meu coração rejubilou de alegria. O quarto choque funcionou, e o carro finalmente pegou. Estava vivo… apesar de tudo, foi só um susto.
Depois do almoço, ele melhorou e transferiram-no dos cuidados intensivos, e o “gravatas” veio dizer-me que o paciente tinha estabilizado, e que se não houvesse nenhuma complicação, em três dias dava-lhe alta. Depois deixou-me ir ter com o carro, e eu pude finalmente dar-lhe a comida que havia comprado para ele.